Emissora das Beiras ao encontro da diáspora tondelense: Bem-vindos a Dublin!

Welcome to Dublin/Fáilte roimh Dublin.

Quando chegamos à capital da República da Irlanda notamos de imediato em dois aspetos sui generis: a circulação de veículos pela esquerda e o bilinguismo – inglês e irlandês (gaélico) são línguas oficiais ambas sempre presentes na sinalética e informação pública. Em 2016, Dublin é marcada pela comemoração dos 100 anos de independência do país, mas esse é apenas mais um motivo de atração turística. Porque há sempre muito para ver e fazer em Dublin.

Designada 4.ª Cidade da Literatura pela UNESCO em 2010, Dublin foi berço de grandes figuras literárias – James Joyce, William Butler Yeats, Seamus Heaney, George Bernard Shaw, Samuel Beckett e Oscar Wilde. O apreço pela herança dos escritores está bem espelhado nas ruas e nos monumentos que os seus nomes batizaram e por toda a cidade estão imortalizados nas estátuas, nos museus, nas pontes e nas bibliotecas. É na Old Library do Trinity College que podemos ver, também, um dos livros mais antigos do mundo. Datado do século IX, o Book of Kells é uma obra obrigatória para ser vista.

Além da vasta herança cultural, dos monumentos de arquitetura georgiana e das inúmeras igrejas centenárias, temos também grandes centros de negócios, edifícios modernos que albergam empresas multinacionais (Google como exemplo quase emblemático), centros comerciais e bares típicos povoados de residentes e turistas jovens das mais diversas nacionalidades e uma rede de transportes em expansão.

Segundo os Censos irlandeses, em 2011 residiriam na Irlanda 2 739 portugueses, a grande maioria em idade ativa*. Em outubro de 2014 partia do Botulho, em Tondela, a jovem Andreia Coimbra, licenciada em Enfermagem, para se juntar a colegas de curso que já se tinham instalado em Dublin. A Emissora das Beiras foi ao encontro da enfermeira tondelense, hoje com 26 anos, e, entre uma visita guiada por alguns dos principais ícones da cidade, fomos conversando sobre a sua experiência de emigração no país. Após quase dois anos na capital irlandesa, Andreia não se arrepende da decisão que tomou. Gostava de regressar a Portugal mas tem consciência que neste momento não teria a estabilidade profissional e financeira que o mercado de trabalho irlandês lhe permite. Tem saudades do sol (o tempo da Irlanda é muito instável e pouco solarengo) e de encontrar facilmente bacalhau seco; encontra-se apenas bacalhau fresco em Dublin e a loja de produtos portugueses localiza-se a cerca de 250 km na cidade de Cork. Quando regressa a Portugal nas férias aproveita, pois, para usufruir do clima e comprar alguns produtos típicos. Ultrapassado o período de adaptação, mais problemático na compreensão verbal dos nativos devido ao sotaque, Andreia Coimbra faz um balanço global positivo da experiência, afirmando que “foi uma mais-valia ter tido o apoio dos amigos nos primeiros tempos” e que os irlandeses são afáveis e pluralistas na atitude com os estrangeiros.

*Fonte:  Central Statistics Office Ireland, 2011.