COMO A PANDEMIA DO COVID-19 AFETOU O MERCADO IMOBILIÁRIO PORTUGUÊS

A pandemia do novo Coronavírus, mundialmente conhecido como COVID-19, afetou as nossas vidas de forma diferente de qualquer outro evento recente. Entre confinamento, suspensões escolares e grandes ajustes nas normas sociais, não há muito que esta pandemia não tenha afetado. Um dos setores que foi duramente atingido foi o do mercado imobiliário, em particular as agências imobiliárias e os proprietários. Cerca de 85% das agências imobiliárias fecharam as suas portas e 56,5% das empresas de mediação perderam todos os contratos conseguidos para as futuras 2 a 3 semanas. Com uma situação aparentemente tão terrível, que futuro terá o mercado imobiliário português durante e após esta crise?

As pandemias globais tendem a ser eventos sem precedentes e, geralmente, resultam em mercados instáveis ​​e voláteis. No entanto, os rendimentos continuam a manter-se estáveis ​​e ao mesmo nível quando comparados com o nível antes da pandemia, de acordo com um relatório da JLL, o que proporciona alguma esperança de que permaneçam em níveis iguais aos anteriores e que ofereceram recompensas suficientes aos investidores.

Recentemente, dois especialistas imobiliários portugueses realizaram uma pesquisa, na qual sondaram os agentes imobiliários, proprietários e investidores nacionais para obter uma visão bastante abrangente sobre qual é a perspetiva geral para o mercado. Em 2020, o mercado teve um arranque forte (principalmente em março quando registou um aumento de 12% quando comparado ao mesmo período do ano anterior), continuando a tendência dos últimos anos e mantendo a tendência de crescimento constante. No entanto, a investigação levada a cabo revelou que mais de 90% dos profissionais consideravam que havia uma queda acentuada no número de pessoas que consideravam comprar imóveis nas circunstâncias atuais. Os agentes imobiliários confirmaram essa aparente falta de interesse na compra de imóveis, tendo revelado que praticamente 80% das suas agências registaram uma queda acentuada no número de clientes.

Entre as conclusões preocupantes apresentadas pelos autores do estudo, os números sugerem o “colapso do mercado imobiliário quer dos compradores como dos vendedores”. Por outro lado, há a esperança de que esta sugestão de colapso do mercado imobiliário resulte numa séria intervenção por parte do governo, numa tentativa de evitar os acontecimentos de 2008. As agências também revelaram que os que procuravam vender as suas propriedades antes da pandemia ainda não desistiram, sendo que a grande maioria(69%), permanece como cliente da agência na tentativa de conseguir vender os seus imóveis.

De um modo geral, a pandemia teve um efeito sério no mercado imobiliário português, um setor basilar da economia do país. No entanto, com a confinamento gradualmente a ser levantado muitos países europeus, como a Itália e o Reino Unido, é possível registar um ressurgimento do interesse público em propriedades.