Deputados do PSD denunciam preocupações na educação em Cinfães

21.09.2016 |

Os deputados do PSD eleitos pelo círculo de Viseu estão preocupados com as dificuldades registadas no arranque do ano letivo no concelho de Cinfães, onde consideram que “a educação não é uma prioridade para o executivo municipal”.
“Atrasos no financiamento do ensino profissional, escolas públicas sem dinheiro para água, luz e aquecimento, parque escolar degradado, fracasso da carta educativa municipal: este é o arranque do novo ano letivo [no concelho de Cinfães], sustentam.

Os deputados do PSD visitaram na segunda-feira alguns estabelecimentos de ensino do concelho de Cinfães, onde “foi possível constatar algumas preocupações e dificuldades, nomeadamente os atrasos no pagamento do financiamento da formação profissional que, por sua vez, faz com que haja professores/formadores com ordenados em atraso e alunos sem receber as bolsas de formação desde janeiro”.
“Este constrangimento tem obrigado a Escola Profissional a recorrer a empréstimos bancários para poder cumprir algumas obrigações, como o pagamento dos vencimentos dos funcionários e o pagamento de impostos”, alegam.
Para os sociais-democratas, esta é “uma situação muito grave e comum a todas as escolas profissionais do distrito de Viseu”, que pretendem esclarecer junto do Governo a quem irão pedir esclarecimentos sobre as razões destes atrasos.

Durante a visita à Escola Secundária Professor Doutor Flávio Pinto Resende, os deputados do PSD constataram também “a necessidade emergente de obras de requalificação no pavilhão de aulas, bem como o melhoramento do equipamento informático obsoleto”.
“Este é um investimento que o Governo não foi capaz de contemplar nas obras realizadas pela Parque Escolar, nem se encontra no mapa de prioridades de investimento”, referem.
Sobre esta escola, os sociais-democratas realçam ainda o estado de degradação do Pavilhão Gimnodesportivo Municipal Armando Soares, bem como a falta de recursos humanos da Câmara de Cinfães para vigilância e limpeza do espaço.
“Embora estejam previstas obras de requalificação neste equipamento desportivo da autarquia, a verdade é que é inconcebível o estado de degradação a que chegou o edifício que alberga semanalmente centenas de jovens na prática desportiva. Incompreensível é ainda o facto de a escola pagar, há mais de 20 anos, um aluguer à Câmara Municipal de 1.000 euros mensais para que aí decorram as aulas de educação física”, evidenciam.

Sobre a Escola Profissional de Cinfães, propriedade da Câmara de Cinfães, apontam que “foi notória a falta de investimento ao longo dos anos”.
“O espaço exíguo para os alunos, pessoal docente e funcionários, bem como a falta de estruturas de apoio, são motivos mais que suficientes para perceber a dificuldade de captação de jovens, pese embora o excelente trabalho pedagógico que aí é realizado”, descrevem.

Já no agrupamento de Escolas de Cinfães General Serpa Pinto, dizem ter sido “possível verificar o fracasso da carta educativa do concelho”.
“Existem complexos escolares incapazes de responder às necessidades do concelho, como é o caso do Complexo da Vila de Cinfães, que obriga a que algumas crianças sejam desviadas para escolas periféricas sem as condições de segurança e qualidade. Por outro lado, temos complexos escolares cuja lotação está muito aquém da esperada”, informam.

No entender dos deputados do PSD, “percebe-se que, para este executivo municipal, a educação não é uma prioridade”.
“Nesta área, há muito para fazer em Cinfães e que, para além das medidas mediáticas que vão aparecendo nos órgãos de comunicação da autarquia, há muitas necessidades estruturais que urge colmatar”, concluíram.